terça-feira, 13 de junho de 2017

Vantagens da Maré Vermelha

         Que a maré vermelha afeta o consumo humano de ostras e mexilhões, isso é fato, mas o que não levamos em conta é o beneficio dos blooms dessas microalgas para os cultivos.
       Como o consumo fica proibido durante o período em que a maré vermelha está intensa, a extração e a venda de bivalves filtradores se torna praticamente nula. Com isso, ostras e mexilhões, além de ter um período de descanso, também recebem uma grande carga de nutrientes e tem um grande ganho de biomassa. Esse ganho de biomassa se torna interessante para o consumidor final, que recebe um produto mais gordo e pode ser incrementado por diversos restaurantes especializados, como observado em um artigo de José Orenstein, de 2016 (Após a maré vermelha, vêm ostras e mexilhões gordos e saborosos).
          Estudos mostram que algumas florações de diatomáceas não causam mortalidades de ostras, como a floração de Chaetoceros gracilis (Nagasoe et al, 2011). Após 24 horas de observação de Crassostrea gigas  em diferentes concentrações de Chattonella marina e C. antiqua, não foram observados danos nas brânquias, manto ou glândulas digestivas das ostras. Toxinas de Chattonella tem pouco efeito na mortalidade de peixes e bivalves (Baden 1989, Plakas et al. 2002, Tang et al. 2005, Woo et al. 2006).
         Concluindo que algumas toxinas de diatomáceas não prejudicam o crescimento e nem causam mortalidade, o consumo de bivalves após o período de defeso, não é perigoso. Deve ser ressaltado o cuidado de depurar as ostras e mexilhões antes do consumo, para eliminar todos os patógenos e impurezas.




Referências:
[1]Nagasoe et al (2011) Clearance effects of the Pacific oyster Crassostrea gigas on the fish-killing algae Chattonella marina and Chattonella antiqua, Aquat Biol 11: 201–211, 2011;
[2]Baden DG (1989) Brevetoxins: unique polyether dinoflagellate toxins. FASEB J 3:1807–1817;
[3]Plakas SM, El Said KR, Jester ELE, Granade HR, Musser SM, Dickey RW (2002) Confirmation of brevetoxin metabolism in the Eastern oyster (Crassostrea virginica) by controlled exposures to pure toxins and to Karenia brevis cultures. Toxicon 40:721–729;
[4]Tang JYM, Anderson DM, Au DWT (2005) Hydrogen peroxide is not the cause of fish kills associated with Chattonella marina: cytological and physiological evidence. Aquat Toxicol 72:351–360;
[5]Woo SPS, Liu WH, Au DWT, Anderson DM, Wu RSS (2006) Antioxidant responses and lipid peroxidation in gills and erythrocytes of fish (Rhabdosarga sarba) upon exposure to Chattonella marina and hydrogen peroxide: implications on the cause of fish kills. J Exp Mar Biol Ecol 336:230–241.

Maré vermelha causa suspensão da venda e consumo de ostras e mariscos no Paraná (29/06/2016)


O que é essa Maré Vermelha e o que ela causa nos frutos do mar do litoral paranaense?
Portal Maré Vermelha - A Maré Vermelha é uma proliferação de microalgas dinoflageladas, que em determinadas condições da água – normalmente águas mais calmas e quentes – esses organismos se reproduzem mais rápidos que seus concorrentes como as Diatomáceas. Esse tipo de microrganismo possui uma cor avermelhada, e quando está presente em grandes concentrações, acabam mudando a cor e o aspecto da água, além de consumirem grande parte do oxigênio da água prejudicando os outros animais, também possuem também algumas toxinas que acabam se alojando em moluscos bivalves, que se forem ingerido por seres humanos causam náuseas, diarreia e dores abdominais.

Para a saúde humana, que problemas essas toxinas causam?
Portal Maré Vermelha – Por se tratar de parte do fitoplancton, há alguns animais que se alimentam das microalgas causadoras das marés vermelhas, principalmente os moluscos bivalves, que são organismos que filtram a água e aproveitam os microorganismos presentes nela para se alimentar, como: ostras, mariscos, mexilhões, berbigões e vieiras. E o ser-humano ao consumir um animal afetado, acaba se contaminando.

Como a secretaria da Saúde vai agir para evitar a venda de mariscos e ostras em todo o Estado?
Portal Maré Vermelha –  Normalmente, a secretaria de saúde repassa informações pra vigilância sanitária de cada munícipio para que se aumente a fiscalização onde os possíveis produtos intoxicados são vendidos para possível remoção das prateleiras e proibição das vendas. O Estado também promove ações educativas e informativas para o resto da população.

Outros frutos do mar estão com venda e consumo liberados no estado?
Portal Maré Vermelha – A proibição de venda e consumo é apenas para moluscos bivalves como já citados, ostras, mariscos, vieiras, berbigões, uma vez que os outros animais como peixes e camarões, não se intoxicam com essas algas.

Há previsão para o fim da proibição?
Portal Maré Vermelha – Quando ocorre esse tipo de fenômeno, nunca há o fim da proibição. O que acontece é que se deve esperar a água voltar às suas características normais, e aguardas até que se restabeleça a ordem do ecossistema, neutralizando assim o ‘bloom’ dessas microalgas tóxicas.

Link da noticia original: http://www.e-parana.pr.gov.br/2016/6/4029/